pela janela aberta
sentimentos
quereres
e ânimo escapam
apreendidos
a opressão dos dias
rodeia
o que era rota de fuga
agora é apenas uma porta emoldurada
fantasmas escondidos no pó da mobília
confabulam, animados
é chegado o tempo dos monstros
até o chão, quase firme, fraqueja
fecho janelas
desligo luzes e conexões
adormeço instintos
removo poeiras esquecidas
até que o silêncio
possa ser percebido
em sua inteireza.
ainda a
ainda é
ainda há
(*) Livremente inspirado na frase de Antonio Gramsci, “O velho mundo está morrendo, e o novo mundo luta para nascer: agora é o tempo dos monstros”.
Rodada 85
Imagem: Gloria Mota
Texto: Robson Aguiar