4 da manhã

Desaparecidos.
Os chás da tarde que nunca existiram.
As vassouras imundas dos toscos botecos.
Compadrios
ao sol de setembro e esse sorriso sórdido de uma cidade hostil.

Sumidos os jogos de poder – também os de sedução – e os clubes
que já nem se sabem abertos a quem.

À sua direita, se vê a ausência dos círculos de ressentimento e melindres, à sua esquerda
sopram os ventos do rastro sobre a ponte que deixaram os números de vendas códigos de ISBN registros históricos e filiações.

E agora aqui somos só nós,
finalmente duas,
Alina e a mendiga juntas
(ninguém se dá mal nessa história):

nas ruas nossas sombras de mãos dadas, eu e a palavra final.

Rodada 83

Imagem: Angela Márcia dos Santos
Texto: Maíra Fernandes de Melo

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