A atriz se olha no espelho e descobre que nem tudo está perdido.
O cenário está no lugar, as malas na plataforma, o trem não apitou na estação e não foi dado ainda o terceiro sinal para entrar em cena.
A atriz admira o próprio corpo, ainda tão desejado. Ensaia a voz e o canto que encantam deuses. E sorri para o espelho. Encanta-se com a própria imagem que a tantos encanta.
Então se atira no espelho.
Mas é um espelho d’ água. Um espelho de águas profundas. Ela sempre ouviu sobre a necessidade imperiosa de ir ao fundo da arte.
No mergulho da atriz, o drama final.
Rodada 83
Imagem: Rachel Jaccoud Amaro
Texto: Luís Pimentel