Os sete reinos do Seridó

No Sertão do Seridó,
tão fundo que dava dó,
encontrei numa caverna,
bem longe da parte externa,
uma saga dos antigos
que contava que o umbigo
do mundo era bem ali.

Apesar do longo tempo,
do desgaste do pigmento,
se contava que há milênios
sete povos em convênio
resolveram se juntar
pra juntos chegar ao mar,
bem além dos sambaquis.

Sete ciclos de ventura,
de uma paz quase madura,
foi o tempo de sonhar
um só reino pro lugar
com liberdade e justiça,
porque gente que é omissa
só se faz diminuir.

Entretanto, o Rei Vermelho,
seguiu da corte o conselho
de se impor ao Rei Laranja,
que prosperidade esbanja,
e do amor fez-se agressivo,
atacou, reles motivo,
ao entrar em frenesi.

O Rei Verde era de paz,
porém, inveja o que faz,
estranhou-se com o Amarelo,
só por causa de um castelo,
e levou a eternidade
pras duas tonalidades
voltarem cá a se unir.

O Rei Azul era calmo,
entoava grandes salmos,
mas sua fé não se abriu:
atacou o Rei Anil,
quase cor da sua cor,
e o chamou de adulador
num jantar de javali.

Só sobrou Rei Violeta,
não há dor que o acometa,
transitava em outros mundos
com mistérios tão profundos
mas registrou na caverna:
pode haver rei que governa
sem querer nos destruir?

Rodada: 78 invertida

Imagem: Marcia Magda Marcos
Texto: André Calazans

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