Vergonha

O homem foi forte que dava gosto ver
e bonito como poucos.
Foi íntegro, intenso, inteiro.
Agora está estirado no meio da sala
ensopado de mijo e suor
coberto de medos e pavor
olhando pros filhos
como se dissesse me levem
me escondam, me afastem
dessa vergonha, enorme vergonha.
O homem foi fogoso como um touro
enfrentou fantasmas, derrubou paredes
e carregou nos ombros tantos desaforos.
O olhar do homem, que espantou desafetos
é frio e perdido no tempo, o olhar fraqueja.
O osso se desfaz e o homem rasteja
para esconder os olhos, o corpo e o choro

de si mesmo.

Rodada 75 Invertida

Texto: Luís Pimentel
Imagem: Angela Márcia dos Santos

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