O paraíso

Até o dia em que tomou a decisão:

“Vou, antes que o mundo exploda em meus olhos, que o tempo me cobre todo o tempo que me deu por empréstimo”.
E assim o fez: descobriu o endereço do paraíso e picou a mula com destino ao desconhecido. Lá se instalou, entre pássaros exóticos, árvores misteriosas, pedras e praias virgens.
Uma beleza.
Um dia, enquanto apreciava o balé das ondas e cantava “O barquinho vai, o barquinho vem”, sentindo o corpo ainda molhado a estirar-se na areia, ouviu a voz bem conhecida (até ali, naquele fim de mundo?):
– Acorda, meu amor, vamos procurar um médico. Você está ardendo em febre e ensopado de suor.
Ah, o paraíso… O paraíso vai ter que ficar para outro dia.

Rodada 73

Imagem: Lucia Dias
Texto: Luís Pimentel

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