Oh, triste,
a carnesempretriste
que fluida fruição
fará acaso
?
o azo
do fio de cabelo
amorfo coração
o efêmero frêmito
do frasco de
refresco
resfriando os dedos
que afresco fará
caso
de todo esse alarde?
sempretristetarde
olhos azuis
boca amarela
púrpura esmalte:
a carne em dores
decolores
pris
máticas
o quê de feliz
se pode sorver
está por um triz
de se deixar perder
enquanto pensa placida
mente escorre
coriza do nariz
Rodada 58
Imagem: Carlos Monteiro
Texto: Guilherme Preger