Olhando as rodas a girar

 
Por que seria loucura extrema
– como diziam a John Lennon –
apenas sentar e observar
as rodas girarem
e girarem e girarem?
 
Se há o giro do planeta
em torno do sol,
se há o vórtice veloz
da estrela em combustão
através da galáxia,
se há o retorno da crise
(desta vez para sempre)?
 
Se, em alguma dessas voltas,
escapar a faísca talvez
e desta impregne o fogo
iluminando alguma
possível, efêmera
lucidez?
 
Que permaneça a girar,
luminosa anêmona
para o olhar giroscópio vidrado
e não encham o saco.
 
 

Rodada 56

Texto: Guilherme Preger
Imagem: Magali Rios

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