Warum gabst du uns die tiefen Blicke (Goethe)
Por que nos dá teu olhar profundo
onde cintila, por um segundo,
um improvável, impossível futuro
que nos estranha o momento?
Agora não há pensamento
que suporte outro desenho,
outro destino, outro rosto,
pudor perdido, posto
num longínquo porto.
Paz não haverá, for-
ça seria impor
um nome a esse amor:
Mirada, gozo, fissura.
Nada disso o enclausura:
esvai-se nessa face centrífuga.
Rodada 52
Imagem: Carlos Monteiro
Texto: Guilherme Preger