devolvesse à loucura um brilho eterno
de uma mente que pouco se ilumina
à luz dos olhos teus, nessa menina
dos teus olhos, é certo um brilho, é terno
lágrima triste de leite materno
confundindo os desmandos, nordestina,
é terno esse leite de amaralina,
que verte fosco e quente no inverno
mas se no lusco-fusco o frontispício
refulge eternamente tosco e nítido
os filhos do teu braço forte esplêndido
rejeita, mãe gentil, o brilho eterno,
refulge varonil os teus fantasmas
o leite zanhado que te habita
é terno de matéria e de miasma
a menina dos teus olhos confundidos
em terno vertedouro de ternura
acompanha a pingadura do teu peito
num dia esmaecido de equinócio
para que possa então, à luz, ser pura
casta
fértil
e louca
Rodada 51 Invertida
Arte: Marcelo Damm
Texto: Igor Dias