Sol é foto-lampejada
É para ser essa tua canção
De um jeito meio tímido
A voz é rouca e boa
A letra é meia esotérica
Fala de lugares esquecidos
E de pátios que estive em Lisboa
De cafés literários e guerras vencidas
E por um momento a tarde de Alentejo
Cai-se irmãs, sombras bonitas,
Dois seres a beira do rio Tejo
Esquecem da árvore sumida em sua negra sombra
E do que ali houve uma aparição
De ver o filme de Walter Salles onde navio abrasa
Preso como uma baleia numa praia
E nestes teoremas são dois irmãos
À aparecerem aqui nesta transcrição
Onde o sol é foto-lampejada
E as duas sombras se congratulam em pátios adornados.
Post Extra
Imagem: Paula Sancier
Texto: Fernando Andrade