Eu gosto de ser mulher

Eu gosto de ser mulher
De cortes e sangues
Profana e sagrada
Filha mãe avó amante
Meiga puta forte sensível
E eu gosto de ver o sol
Na minha condição feminina
E saber que abaixo dele
Só meu calor é maior
Para o bem e para o mal
E gosto de me banhar
Nas águas ainda límpidas
E de me enfeitar de flores e asas de borboleta
E gosto de rescender a madeira oriental
E me embriagar com vinhos raros
E me deixar dormir sobre a relva
Empunhando lanças e venenos
Porque acima de tudo e sempre
Sou mulher
e me orgulho de todas as possibilidades
e da liberdade de escolher meus caminhos,
minhas permanências e indecências,
minha candura e escolhas pervertidas.

Rodada 50

Imagem: Carlos Monteiro
Texto: Maria Emilia Algebaile

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