peixes de outono

as folhas já não caem, o outono
está vivo como os peixes.
 
a luz se dispersa recortada
 
nas arestas das palmeiras, fragmentos cintilam
como poeira no ar, às vezes
sente-se a falta de um espelho
 
sem mentira:
não a placa clara,
metálica, estática, calada,
 
o perfil luminosamente alheio,
na imagem estéril,
sem um grito de retorno.
 
secos os dias, as horas enlanguescem:
o céu é totalmente nítido
na variação dos seus cinzas.
 
numa superfície d’água fria
os reflexos estão mortos
como as folhas de outro outono.
 

 

apenas sob o espelho há vida.  
 
 

Rodada 43

Imagem: Magda Rebello
Texto: Guilherme Preger

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