as folhas já não caem, o outono
está vivo como os peixes.
a luz se dispersa recortada
nas arestas das palmeiras, fragmentos cintilam
como poeira no ar, às vezes
sente-se a falta de um espelho
sem mentira:
não a placa clara,
metálica, estática, calada,
o perfil luminosamente alheio,
na imagem estéril,
sem um grito de retorno.
secos os dias, as horas enlanguescem:
o céu é totalmente nítido
na variação dos seus cinzas.
numa superfície d’água fria
os reflexos estão mortos
apenas sob o espelho há vida.
Rodada 43
Imagem: Magda Rebello
Texto: Guilherme Preger
Adorei o Post, Parabéns!!!
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