Canto do poeta da mão invisível

Eu, que te descobri de fato, diante do que é sagrado e do que é profano
Eu, que mal desenhei teu rosto conforme discava o teu número
Te convidei pra jantar

Eu, que imaginei que você era psicodélica
Uma criança totêmica
Eu, descobri.
Descobri que o selo da mágoa, é o colar da alegria
E que o espelho da água
É o lugar que eu me via
Mar

Olhei pra trás, numa atitude reflexa
vi o passado virado sal
Se desbastando, revelando cores.

Pronto, me assustei.

Abominei teu nome, desregrei meu sonho
Importunei seus sapatos

Você ficou com vontade de me procurar?

Olha o que você fez, me transformou num rato medroso que não sabe ver rostos
Um cara confuso que não sabe começar a comer palavras
Enquanto faz a barba

Bárbara, eu te odeio.

Rodada 41

Imagem: Magali Rios
Texto: JD Lucas

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