Ele virá não como um cavalo vem,
tampouco uma cobra, sorrateira
e armada para o bote.
Ele virá como um homem
só, um homem simples, um homem
na medida exata de um homem.
Ele não estará acima do mal e do bem.
Este homem trará tão somente
um corpo com espessura de carne.
Um corpo que não tenha talvez uma história
nem explicações, mas palavras,
sons, ecos, gritos, ruídos e alardes,
ele não precisa de ouvidos para despejá-los,
mas que acolham seu silêncio,
este sim o ruído mal suportável.
Ele não precisa de olhos que o admirem,
mas que reconheçam nesse corpo
a contida alegria em seu menor gesto.
Um homem e seu corpo,
talhado por aparelhos
e adestrado por batalhas,
ele aprendeu a não esmurrar os muros,
mas a contorná-los.
Há um encontro à espera deste homem,
ele não virá como um cavalo vem
tampouco um cão para ser domesticado,
ele virá como aquele que abandonou seu passado
e esqueceu seu futuro.
Rodada 36 Invertida
Poema: Guilherme Preger
Imagem: Pilar Domingo
Lindo post! Texto e imagem escondem e revelam!
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Belíssimo texto do Preger! E a imagem da Pilar, mais esconde do que revela: gosto disso também, dá um ar etéreo ao homem que há de vir. 🙂
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Muito bom!
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Adorei o Post, Parabéns!!!
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