De saias tao fartas
E horizontes distantes
Alegria nas pernas
E silêncios gritantes
São as meninas e suas danças
No vai e vem dos caminhos
São as meninas e suas tranças
Sempre de volta pro ninho
Num círculo virtuoso
Risos de moça e criança
São as meninas bailando
A nos encher de lembrança
Brincadeira ou coisa séria
Mais tarde se saberá
Que as meninas quando brincam
Estão de fato a zombar
Da vida que não conhecem
Da vida que vai chegar.
Rodopiando ligeiras
Como ligeira é a vida
Suas saias são bandeiras
De muitas terras perdidas
No embalo doce e leve
Da vida que vem e que vai
Vão-se as meninas pra sempre
E uma moça se aninha
No lugar da menina que sai
Tão lindas, diáfanas e belas
Seus pés não tocam o chão
Voam como borboletas
Momento de mutação
E ao vê-las assim bailando
Voltamos no tempo a cantar
Retomamos uma leveza
Há muito tempo perdida
Uma leveza da alma
Que dá sustentação à vida
Assim é o tempo que vem
Assim é o tempo que está
No rodopio do tempo
Ninguém há de duvidar
Somos todos belas meninas
Na vida a rodopiar…
Texto: Maria Emilia Algebaile
Foto: André Calazans
Calazans, obrigada pela foto! Quanta delicadeza!
CurtirCurtir
Emília, adorei essa poesia, diz tudo!
CurtirCurtir
Muito bela a poesia da Maria Emilia e muito instigante a arte do Calazans, que é linda também. Fiquei curioso quanto à técnica da arte? É tinta sobre fotografia?Abraços,Igor
CurtirCurtir
Igor, é uma fotografia de amigas da minha filha dançando quadrilha na festa junina do colégio. Não precisou nem aumentar o tempo de exposição, elas eram tão rápidas que o movimento saía, de uma maneira ou de outra, em todas as fotos. Essa foi a que ficou com o maior efeito.
CurtirCurtir
Adorei o Post, Parabéns!!!
CurtirCurtir