Extrema música

Batalhar uma resposta
sem aguardar a pergunta
como arriscar-se pelas águas
sem perceber que não se afunda

A terra se agita o mar se revolta
no ar gira um redemoinho
as geleiras se desfazem
o planeta se sabe sozinho

oh baby baby é preciso
seguir sempre em frente
mesmo sem o manto cálido
de sua carne envolvente

Entre automóveis incendiados
as multidões ocupam as praças
calam os corpos torturados
súplicas pelo instante de graça

Há um vagalhão que carrega
raivosos jovens pelas ruas
e se dispersam noturnos
suspiros entre as peles nuas

oh baby baby é preciso
abrir os poros dos sentidos
um coração dilacerado
não dói mais do que um osso partido

Que translúcido cristal
guardaria o delicado lirismo
e a bordo da uma frágil nau
o mais centrado solipsismo

ignorasse o mundo em pedaços?
como diante do que acontece
não fazer da extrema música
um grito uma queixa um SOS?

oh baby baby é preciso
se permitir ainda uma chance
não seja sorte ou azar
e o desejo jamais descanse

Rodada 25

Imagem: Ana Muniz
Poema: Guilherme Preger

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