Para a menina
pendurar o guarda-chuva
seria sua libertação.
Viver sob intempéries,
a ventania de uma dúvida,
a trovoada da interrogação,
acolheria na planície
plácida de sua nudez
sem ânsia de solução
e sem luz imposta
que ofuscasse sua vez
de sair da situação
sem falsas vestes,
sem controle pelo tempo
sem outra obrigação
que a de sua própria hora,
sem outro esclarecimento
além da alumiação
de sua chama portátil.
E assim se faria lisa,
limpa, como página não
preenchida, como
livro sem narrativa,
face sem recordação.
Imagem: Letícia Hasselman (vencedora do 14º Encontro)
Texto: Guilherme Preger (vencedor do 15º Encontro)
Adorei o Post, Parabéns!!!
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