A fome me fez advogado
Não me faço de rogado.
E na labuta por melhores tetos
Também me trouxe netos.
E não me jogues na face usura
Pois também tenho candura.
E quando enxergas nos meus olhos brilhos
Vês os filhos dos meus filhos.
O tempo me fez predatório
Fiz da alcova um escritório
Mas quando o assunto é sentimentos
Só me vêm os rebentos.
Agora veja o senhor
A justiça de meu pendor:
Depois de açoites profanos
A vida brinda os decanos.
O prazer que me resta
Além da vespertina sesta
Mora nos indulgentes acenos
Com que me recebem os pequenos.
E quando me pedem um brinquedo
Ou revistas sem enredo
Conto minhas próprias estórias
Ser avô é um livro de memórias.
Rodada 19
Fotografia: Guilherme Quaresma
Poema: David Cohen
Boa e bem manipulada foto. Belo texto. Belo post. Parabéns à dupla!
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a foto tem realmente um aspecto de familiaridade, como uma cena de bairro. ficou ótimo este contraste entre cores e P&B. acho q o txt \”ilustrou\” a foto perfeitamente com a simplicidade da condição humana resumida no curto título desta obra e nos versos tão singelos…
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Renatinho e meu xará, obrigado pelo elogios à foto! 🙂 Na verdade, tenho que agradecer ao David também pelo belíssimo poema criado com base nela, no qual ele acabou tirando elementos dela que eu nem imaginei destacar. A minha ideia ao fazer o contraste cor/p&b era siplesmente destacar em cor o que havia de papel na cena: as revistas da banca e o jornal e o envelope nas mãos daquele senhor.Preger, meu caro, por incrível que pareça, a cena que parece tranquila foi retratada na avenida mais movimentada de Buenos Aires, quando estava \”flanando\” por lá, a passeio, com a máquina a tiracolo! 🙂 Abraços a todos!
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Bela composição. O resultado da imagem junto com o texto ficou doce, bonito mesmo! XD
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Linda imagem, e a poesia tão bela quanto.Parabéns!
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Olhaê, foto magnífica! Acompanha de redondilhas. Os coloridos do mundo, essas fagulhas.
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Adorei o Post, Parabéns!!!
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