Big Bang

Vermelho. Vermelho pulsante. Energia. O entorno era como uma aurora boreal psicodélica. Não sei se a imagem estava em minha mente ou se eu efetivamente via. Não sei por que não pensava, não me perguntava. Sentia algo que partia do meu baixo ventre e se expandia para o ambiente, ou para o universo, não sei e não importa. Se expandia, sem dúvida, para todo eu, self, id, ego e superego, tudo numa coisa só, vermelha, latejante, forte, frenética, pulsante, pulsava.

Num momento, a aurora boreal que me cercava entrou num ritmo alucinante, riscos para todos os lados, traços de azul, violetas, em meio ao vermelho. Me vi de costas, também vermelho, circundado por uma aura azul, sem, em qualquer momento, parar de sentir o sentir no baixo ventre. A sensação foi ficando mais forte. A freqüência das vibrações era num ritmo que já não se podia acompanhar. Alguma coisa estava prestes a colapsar, a eclodir. Todo sistema tende ao caos. Caos. Sentia-me um dragão preso num ovo de codorna.

Big bang!

Tudo voou para os lados. Os raios vermelhos, púrpuras e azuis escoaram para as partes ainda vazias do universo. Ao meu redor, o criado mudo, a luminária e a cama estavam novamente lá, me dizendo pelo encarar “o que houve, seu lunático? Em que nossa corriqueira presença te espanta?”. Ainda sob o efeito do choque do retorno te vi num canto limpando a boca. Fui à cozinha pegar um copo d` água.

 

Rodada 18 Invertida

Texto: Renato Amado
Imagem: Ana Muniz

17 comentários

  1. Valeu a pena este texto ter sido trancado a sete chaves… Eu o estou lendo apenas agora! Adorei a apresentação e não imaginava que um simples girassol de plástico no meio daquele material de escritório pudesse ser tão interessante!Se eu colocasse a foto no meu blog, eu tinha ideia de lhe dar um título do tipo \”A Alegria floresce até no Reino do Marasmo\”. Estava em uma repartição pública (sempre com a câmara a tiracolo, uma pequena compacta) quando vi esta flor de plástico, única coisa colorida, no meio da mesa. Foto na certa, boas vindas garantidas a todos!A todos escritores, fotógrafos e artistas, divirtam-se da mesma forma que eu e Renato temos nos divertido nos últimos meses bolando e criando este blog!Ao visitantes, deleitem-se com as imagens, os textos e o conjunto das obras!

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  2. Com certeza serei visitante assídua, por já conhecer o hobby do Gui e saber da qualidade de suas fotos.Muito bom o seu texto, Renato! 🙂 Beijos!!!

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  3. eu não godtei do site eu sou estudante e procuro imagens e textos sobre o big bang não por uma foto de um escritório!!!!melhorem um pouco bjs♥

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  4. Depois de um comentário anônimo, somente outro que o combata e não tenha medo de se mostrar, pois tolo é quem não percebe a sutileza de transformar uma simples foto em poesia, ou melhor, numa boa prosa.Tudo é pretexto ou pré-textos, mesmo que em outro formato. Não há bom ou mal, belo ou feio.O que vale é a criação.Como estudante tem muito a aprender. A regra básica, criticar sem ofender.Parabéns pela idéia do site e por sua alta qualidade.A cada dia, imagens e textos se fundem em belas composições e superam-se na arte do encontro.Pedras raras e preciosas lapidando-se pela vida.Viva a liberdade de expressão!

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  5. Renato nos traz um texto bastante velado, diz sem dizer. Escondido no que não se desvela, existem múltiplas possibilidades de interpretação.Unido à imagem, então, as possibilidades, em vez de se afunilarem, se multiplicam. De minha parte, acredito que é ótimo quando o leitor lê e é convidado a participar do processo de escrita do texto, colocando seus próprios vieses, pontos de vista e peças do quebra-cabeça. O resultado é surpreendente e exclusivo para cada um que lê. =DAbraços,Igor

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  6. gostei muito do txt do renato, mais sintético do q os anteriores, mantendo o tom do fabuloso, do fantástico mas em tom menor, o q me agrada mais.mas o q gostei msm foi esta imagem incrível, vibrante, da ana…

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