Enquanto buscava tua sombra arredia,
a pálpebra pesada do mundo
caía em sinal de alerta.
Sinal da impossibilidade
de detectar no tempo e na memória
aquilo que se esconde dentro dos olhos.
O que seria necessário
para que nossa química
fosse um composto perfeito?
Para que tudo
– saliva, pelos e extras –
não virassem fumaça azul
no tubo de ensaio forrado de cetim?
Que seria preciso
para que tua ausência se acabasse em mim?
Para que escutasse teu absurdo gritando na noite
o meu nome em vão?
Mas tua sombra vadia
se esgueirava entre outras sombras
e fiquei calada num canto
esperando a luz se apagar.
Rodada 15 Invertida
Texto: Maria Emília Algebaile
Imagem: Théo Moreira, inspirada no texto
Texto e imagem se combinaram de maneira maravilhosa e sombria… Muito bom!
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bonito diálogo, a imagem de théo moreira é desesperadamente bela e o poema de Algebaille é um lamento assombrado.
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Adorei o Post, Parabéns!!!
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