Enquanto buscava tua sombra arredia,

a pálpebra pesada do mundo

caía em sinal de alerta.

Sinal da impossibilidade

de detectar no tempo e na memória

aquilo que se esconde dentro dos olhos.

O que seria necessário

para que nossa química

fosse um composto perfeito?

Para que tudo

– saliva, pelos e extras –

não virassem fumaça azul

no tubo de ensaio forrado de cetim?

Que seria preciso

para que tua ausência se acabasse em mim?

Para que escutasse teu absurdo gritando na noite

o meu nome em vão?

Mas tua sombra vadia

se esgueirava entre outras sombras

e fiquei calada num canto

esperando a luz se apagar.

Rodada 15 Invertida

Texto: Maria Emília Algebaile
Imagem: Théo Moreira, inspirada no texto

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