Na água morna e suja
a gente se lavava.
E era bom. Na água escura
a gente mergulhava.
Havia óleo, lodo e mangue
sob a sombra dos coquerais
e depois o caldo de cana
era doce demais.
Tão próxima quanto distante,
suspensa no tempo era a ilha,
e era bom se perder
em suas ruas como armadilhas.
O trote dos cavalos, o cheiro da bosta,
a tarde ao passo da charrete
a sirene da barca que anunciava
a chegada do frete.
Além da baía, a cidade à espreita
era um vulto invisível
que guardava a iminência
do desejo, irreversível.
A nudez entre primos,
o banho de mangueira no quintal,
ainda não se desdobrara
a incerta consciência do mal.
Equilibrar-se na bicicleta
era um aprendizado de vida,
descer a ladeira sem freios
e estabacar-se em mil feridas,
com a pele lascada e exposta
como depois seria a alma,
era assim que se dominava
a alegria como um trauma.
Um sol que jamais obscurece
para além de suas praias
de areias brancas e mar negro,
plácida e plausível ela paira
sobre a lama e a merda. A esperança
é uma outra criança.
Rodada 05
Imagem por: Guilherme Quaresma
Texto por: Guilherme Preger
Preger, muito obrigado. :)Despedir-me deste blog (quase um \”filho\” meu) se torna mais doloroso e emocionante ao receber um poema primoroso como este. Talvez, se não me engano, o melhor texto teu nestas 5 rodadas que o blog tem de vida. Muito, muito obrigado por, com uma sutileza poética, tratar de lembranças pueris misturadas com a realidade cruel e suja. Suja de poluição, de maus pensamentos e de bosta de cavalo.Aos que tiverem curiosidade, a praia é a do porto de Fortaleza, mas tão suja e bonita como a de Paquetá (que, infelizmente, ainda não estive lá, acreditam?)Meus queridos amigos que fiz e que trouxe ao CLP, obrigado por todos os textos e imagens que vocês têm trazido com tanto carinho para este blog. A quinta rodada foi primorosa. Apesar de não ter tido tempo de comentar como vocês todos mereceriam, a participação de vocês foi espetacular. Parabéns a todos.Do amigo e fã de todos vocês, Guilherme.
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Muito gostoso esse poema, Gui. Lembranças de momentos tão simples e caros de quando se é criança, alheios a qualquer coisa, inclusive a sujeira que permeia o lugar.
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Guilherme Preger equilibrou-se na poesia com maestria, e a parte que mais me toca nesse lindo poema é \”…estabacar-se em mil feridas, com a pele lascada e exposta como depois seria a alma…\”.Guilherme Quaresma, obrigada por esta imagem ensolarada! Lamento sua saída do blog!
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Deu pra sentir a falta que o Guilherme Quaresma vai fazer ao site… Mas, como disse meu amigo Guilherme Preguer, \”…a esperança/é uma outra criança\”.Adorei o trabalho, e adorei a maneira com que o Preguer retratou tão bem os sentimentos de infância observados por um adulto.
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para mim foi uma honra participar da despedida do xará quaresma. não sabia q a imagem era de fortaleza onde já estive, mas não sei pq me lembrou outra época em paquetá. q bom q vc gostou xará e mais uma vez boa sorte!
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esses cara saum baos, foto boa, diferente da palhacada da de cima e uma poesia linda me lembrou da casa dos meus tios em paquetá valeu!
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Deborah e Saulo, muito obrigado!Xará, foi uma grande alegria antecipar a nossa parceria na 6ª rodada! A poesia também me fez voltar aos bons anos da infância… E das caravanas de domingo para a praia! 😀 Um forte abraço!\”Joaum\”, fiquei com medo ao ver o seu nome aqui nos meus comentários, depois do que eu li no post anterior, mas fico contente que você gostou.Abraço a todos, Guilherme.
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Adorei o Post, Parabéns!!!
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