Longe e iluminado
Cintila o morro
Lânguidas luminárias
Correm por gatos silenciosos
Miam fagulham
Centenas, centelhas
Sem telhas e sem telhados
Dão voz a personagens esquecidos
Longe e iluminado
Cintila o morro
Degraus, degredos
De grados e degradados
Engradados de homens
Num balé sublimado
Se contorcem
Na coreografia da existência
Longe e iluminado
Cintilo e morro
Lírico, lógico
No replicar dos gatilhos
Miados algozes
Sonhos cortados
Uma vela se acende
Sobre um cortejo de lágrimas.
Rodada 03 Invertida
Texto: David Cohen.
Imagem mal photoshopada por Marcelo Damm, inspirada no poema de David Cohen.
Uau! Por essa eu não esperava! Marcelo Damm atacando de impressionista! O cara é multiuso! Se isso é uma imagem mal photoshopada não sei o que seja bem photoshopada. Não falasse, imaginaria ser uma pintura. Temos, então, um impressionismo fotográfico. Nada mal. Daria até para puxar daí – e lembrando da foto e do comentário do Bruno do Amaral, que quase classificou sua foto como artes plásticas – a discussão de até onde é fotografia e onde começam as artes plásticas. Eu não faço idéia.Belo poema, caro Cohen. Estava sentindo falta de referências locais.
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Marcelo, ficou bacana a variação sobre a pintura de Van Gogh que estou interpretando como uma linda associação ao \”balé sublimado\” da poesia. Essas cores estonteantes são sempre bem vindas e achei o título bem escolhido. David, a tua poesia brinca com as palavras com muita graça, como \”gatos silenciososMiam fagulham Centenas, centelhas\” que adorei!
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Bela poesia!Diz muito, principalmente pra quem é do Rio e pra quem cresceu no morro.A imagem também está belíssima. Violenta nas cores e ao mesmo tempo muito bela, como os sentimentos que sinto por nossa cidade..Parabéns gente…
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A inspiração, que poema mais lindo, mais musicado… David, não sei de qual estrofe mais gostei. Todas elas trazem um pouco da realidade do morro, mas adorei os versos da segunda estrofe: \”Degraus, degredos / De grados e degradados\”. Vem logo a imagem da escadaria do morro, das pessoas – crianças e idosos – subindo e descendo o degredo da favela.A imagem, parece que Marcelo Damm, para buscar inspiração, subiu o morro, foi para um terreiro de macumba e baixou o caboclo Van Gogh no danado! 😀 A primeira coisa que fiz foi buscar no Google uma imagem de \”A Noite Estrelada\” para comparar com a imagem do Marcelo. Muito boa remontagem, trazendo os traços do mestre holandês para a praia do Leblon, com as luzes do Vidigal iluminando a noite, com um misto de terror e de admiração. Lembro-me um amigo meu, estrangeiro, que ao ver a Rocinha de noite do carro, exclamou \”estou vendo constelações!\”.Parabéns a ambos!
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Impressionante! O poema e a imagem se encaixam perfeitamente. Confesso que me surpreendi com o talento do David! hahaha Ah, Guilherme…aconteceu a mesma coisa com uma amiga estrangeira ao ver a Rocinha de noite, achei tão ingênuo que a deixei descobrir a verdade pela manhã!
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Van Gogh, Rio de Janeiro, palavras certeiras e belíssima imagem. Vocês esbanjaram criatividade. Parabéns aos dois !
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